quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Bolhas tecnológicas

As pessoas estão trocando as relações presenciais por experiências virtuais e esse fenômeno está acontecendo de forma natural.

Hoje é muito comum entrarmos no metrô, de óculos escuros, colocarmos o nosso fone e twittar por meio do celular, ou seja, estamos em um espaço repleto de pessoas sem necessariamente interagirmos com nenhuma delas.

As novas tecnologias estão permitindo aos indivíduos criarem e carregarem seu próprio mundo. A conectividade ainda permite que, de dentro do ônibus, as pessoas se comuniquem com outras localizadas em qualquer parte do globo.

Mas o fato não é esse, o interessante é a possibilidade dos indivíduos poderem escolher muitos dos signos (vamos entender aqui como tudo que atinge nossa percepção) com os quais vão interagir.

Ao usar um óculos escuro a pessoa altera a sua percepção visual, uma propaganda onde o discurso é construído por meio de imagens, provavelmente não terá o mesmo impacto. Ao colocar um fone, a pessoa perde em grande parte a sensibilidade de perceber os sons a sua volta. E a partir do momento que estamos enviando mensagens por meio do celular, estamos nos distanciando dos indivíduos presentes no local, ou seja, criamos e carregamos uma bolha.

Na minha opinião, e não é que eu seja diferente, essas bolhas acabam por inibir a ação direta dos signos em nós, ou seja, deixamos de perceber e sentir muitas coisas ao nosso redor. Assim, perdemos muitas vezes a oportunidade de conhecermos, experimentarmos e criarmos novos pensamentos.

A idéia não é sair cumprimentando todo mundo por aí, muito menos querendo dividir o seu som como fazem as pessoas que andam com o celular tocando alto – só para não perder a oportunidade, hoje em dia tem gente que é tão clichê que o som que ela ouve acaba se tornando sua própria sonora-, mas deveríamos interagir mais, como o pessoal fazia antigamente.

Como diria Martin Buber “todo viver real é encontro”, por meio do diálogo aberto e sincero com o outro é possível um crescimento mútuo. Não sou um apocalíptico do virtual, na verdade acredito que a construção de uma nova sociedade depende muito da rede, mas também não acredito que o real seja deixado de lado.

Eu não espero pelo dia,
Em que todos
Os homens concordem
Apenas sei de diversas
Harmonias bonitas
Possíveis sem juízo final...

(Caetano Veloso)

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