As pessoas estão trocando as relações presenciais por experiências virtuais e esse fenômeno está acontecendo de forma natural.
Hoje é muito comum entrarmos no metrô, de óculos escuros, colocarmos o nosso fone e twittar por meio do celular, ou seja, estamos em um espaço repleto de pessoas sem necessariamente interagirmos com nenhuma delas.
As novas tecnologias estão permitindo aos indivíduos criarem e carregarem seu próprio mundo. A conectividade ainda permite que, de dentro do ônibus, as pessoas se comuniquem com outras localizadas em qualquer parte do globo.
Mas o fato não é esse, o interessante é a possibilidade dos indivíduos poderem escolher muitos dos signos (vamos entender aqui como tudo que atinge nossa percepção) com os quais vão interagir.
Ao usar um óculos escuro a pessoa altera a sua percepção visual, uma propaganda onde o discurso é construído por meio de imagens, provavelmente não terá o mesmo impacto. Ao colocar um fone, a pessoa perde em grande parte a sensibilidade de perceber os sons a sua volta. E a partir do momento que estamos enviando mensagens por meio do celular, estamos nos distanciando dos indivíduos presentes no local, ou seja, criamos e carregamos uma bolha.
Na minha opinião, e não é que eu seja diferente, essas bolhas acabam por inibir a ação direta dos signos em nós, ou seja, deixamos de perceber e sentir muitas coisas ao nosso redor. Assim, perdemos muitas vezes a oportunidade de conhecermos, experimentarmos e criarmos novos pensamentos.
A idéia não é sair cumprimentando todo mundo por aí, muito menos querendo dividir o seu som como fazem as pessoas que andam com o celular tocando alto – só para não perder a oportunidade, hoje em dia tem gente que é tão clichê que o som que ela ouve acaba se tornando sua própria sonora-, mas deveríamos interagir mais, como o pessoal fazia antigamente.
Como diria Martin Buber “todo viver real é encontro”, por meio do diálogo aberto e sincero com o outro é possível um crescimento mútuo. Não sou um apocalíptico do virtual, na verdade acredito que a construção de uma nova sociedade depende muito da rede, mas também não acredito que o real seja deixado de lado.
Eu não espero pelo dia,
Em que todos
Os homens concordem
Apenas sei de diversas
Harmonias bonitas
Possíveis sem juízo final...
Os homens concordem
Apenas sei de diversas
Harmonias bonitas
Possíveis sem juízo final...
(Caetano Veloso)
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