quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ecotécnofeudais

Em 2060 o mundo será um local mais amistoso, no qual a tecnologia e o meio ambiente aprenderão a viver em sincronia e o homem terá se tornado um ser técno-humano, com funções automatizadas e aplicativos implantados no seu próprio corpo que permitirão que o mesmo se conecte com o mundo.
Os técno-humanos não sofrerão mais os males causados pela velhice, o mundo terá caminhado para uma época no qual o tempo não será mais uma constante. O corpo desses novos seres, terá a possibilidade de se auto-gerenciar. Assim como em um computador doméstico, existirá a possibilidade de se baixarem programas antivírus que combaterão os danos presentes no organismo.
A partir da década de 2020, a nanotecnologia e a biotecnologia começarão a obter cada vez mais êxito e, a partir disso, começarão a revolucionar o modo de viver. Já existem previsões para que no ano de 2015 comece4m a ser fabricados os primeiros órgãos artificiais com células retiradas dos próprios pacientes e cultivadas em laboratório, com a ajuda de moldes específicos, será possível a criação de órgãos artificiais.
Em 2025 surgirão injeções de telómerase; essas injeções garantirão que os cromossomos fiquem inteiros, impedindo que os mesmo sejam mutilados, fato este que causa o envelhecimento das células. Ainda na década de 2020, as células tronco deixarão de ser uma promessa e passarão a serem aplicadas em locais de fácil acesso, como forma de recuperar tecidos orgânicos danificados. Também surgirão no inicio da década de 20, pílulas que reproduzem as sensações provocadas pela fome, que ingeridas farão com que o corpo entre em alerta e descarte proteínas danificadas responsáveis pelos radicais livres.
Em 2036, a tecnologia utilizada pelos hackers chineses para atacar o sistema do Pentágono em 2023, será utilizada para salvar vidas. Os nanorôbos serão inseridos no corpo humano por meio de injeções e atuarão como um exército de micro robôs do tamanho de células, que limparão artérias, destruirá vírus, bactérias e tumores, antes que o corpo humano sofra qualquer dano.
Além dos adventos em prol da saúde, também surgirão formas de tornar o homem, um ser capaz de baixar downloads, trocar informações via hi-fi e multiplicar sua memória como se fosse um computador. Um cientista inglês, chamado Kevin Warwick, por exemplo, implantou chips no corpo para mostrar como o homem pode interagir com as máquinas. Ele anuncia que, no futuro, crianças com chips implantados no cérebro vão aprender, em segundos, o que levariam anos estudando na escola.
 A ficção científica já imaginava essa possibilidade há muitos anos, em seu livro Neuromancer da década de 1980, o escritor Willian Gibson já falava a respeito de dispositivos instalados atrás da orelha dos humanos que serviam como forma de armazenar ou mesmo “baixar” habilidades, no livro esse dispositivo recebia o nome de skill wares (memórias de habilidade).
O primeiro cyber cientista Kevin Warwick (título reconhecido por ele mesmo) diz que o planeta será povoado por seres humanos que estarão fisicamente conectados a máquinas e computadores. Segundo ele “...a implantação de chips no cérebro criará uma revolução na educação: as crianças aprenderão de outra maneira, elas serão educadas não nas escolas, como hoje, mas através de chips que serão implantados no cérebro. A educação estará em um software. A criança não precisará estudar matemática, fatos e números. Bastará apertar um botão. O estudante aprenderá tudo automaticamente”.
O cientista ainda adverte para de que “como as máquinas estão se tornando mais e mais inteligentes, um dia elas poderão governar o mundo, a não ser que nós humanos nos aperfeiçoemos e nos tornemos parte das máquinas”. Ou seja, teremos de ligar nossos cérebros diretamente ao cérebro das máquinas.
O primeiro cyber-cientista chama a atenção para uma nova realidade: o homem já criou uma super-máquina, onipresente em todo o planeta, a internet. Warwick conclui que “não se pode desligar a internet, tecnicamente é possível, mas na prática não é, já existe, portanto, algo que não podemos desligar. Nenhum governo, nenhuma organização militar pode controlá-la”.
A implantação de chips em seres humanos já é uma realidade há alguns anos, seja atuando como um prontuário médico ou um localizador, este tipo de tecnologia aos poucos vem crescendo. A consolidação da automatização e da metamorfose cibernética do ser humano pode no futuro gerar conflitos étnicos. muitas pessoas vão abrir mão desse estilo de vida cibernético e voltar-se contra a cultura da automatização do ser humano. Essa questão esbarrará principalmente nas questões religiosas, que enxergaram no processo de automatização humano o fim dos tempos.
Para a comunidade cristã, a implantação de chips no corpo é vista como a “marca da besta” e o fim dos tempos. Na cultura religiosa pregada no novo testamento, aqueles que não tiverem essa “marca” não conseguirão comprar ou vender qualquer mercadoria, segundo consta na Bíblia, mais precisamente no livro de Apocalipse capítulo 13, “... e que ninguém pudesse comprar ou vender se não fosse marcado com o nome da fera ou com o número do seu nome“. (Apocalipse 13,16 - 17)
No futuro, o comércio não utilizará mais dinheiro em espécie como forma de pagamento. Aliás, atualmente já é cada vez maior o número de pessoas que utilizam cartões ou outras formas eletrônicas para efetuarem seus pagamentos. É possível que esse já polêmico chip atue como um mecanismo capaz de efetuar pagamentos e transações financeiras.
È engraçado notar, como tudo está interligado, pensando nisso, é possível imaginar como o mercado de cartões de crédito será daqui a algumas décadas e como serão as formas de pagamento no futuro.
Após sucessivas crises econômicas, na década de 2060 o mundo estará vivendo em um sistema econômico diferente do atual. O ritmo do crescimento mundial apresentado pela Terra na década de 2030 provará definitivamente que o PIB como principal indicador de crescimento é insustentável. No lugar do Produto Interno Bruto surgirão indicadores baseados no índice de desenvolvimento humano, no impacto ambiental causado por nossas ações e na capacidade de aprendizagem de uma determinada nação.
As pessoas voltarão a ter um ritmo de vida mais natural e ligado ao meio ambiente. Será comum pessoas plantarem seus próprios alimentos e organizarem-se em comunidades com estilos de vida próprios, surgirá uma nova cultura que misturará em seu cerne hábitos feudais, tecnológicos e naturais. Os consumidores passarão a ser mais conscientes, uma vez que os resíduos gerados pelo seu consumo e pelos seus hábitos de vida serão parte dos indicadores de desenvolvimento dos bairros, cidades, estados e países que vivem.
A geração “Peter Pan” (baseada na história do garoto que nunca envelhece) estará acostumada a praticar atividades com seus avós, remanescentes da geração Z, e a viver em um mundo no qual a expectativa de vida já terá derrubado todos os parâmetros. Essa geração não conhecerá os limites entre natureza e tecnologia, a integração entre esses dois campos vai ser tamanha, que as suas fronteiras serão imperceptíveis.
Após a crise, que elevou o preço do petróleo na década de 2020, o mundo se viu obrigado a buscar formas alternativas de geração de energia. Durante a década de 2030 e inicio da década de 2040 o planeta utilizou o biocombustível como alternativa. Já no final da década de 2040, essa prática começa a se mostrar insustentável devido à degradação do solo e novas alternativas começam a surgir.
 Nesse período o homem aprende a controlar e a utilizar a energia vinda da anti-matéria, descoberta pelo ION(Organização Indiana no núclear) no seu acelerador de partículas no ano de 2034 em parceria com cientistas europeus do CERN. Também ganham força, a energia eólica e a energia solar, que passa a ser a principal fonte de energia de países como Brasil, Austrália, México e África do Sul.
O futuro as empresas bem sucedidas serão gerenciadoras de serviços e tecnologia humana. Como a indústria automobilística no século XX, o segmento de componentes técnohumanos será responsável pela fabricação, manutenção e invenção dos componentes e periféricos que cuidarão da saúde e vida longa dos seres humanos.
Nessa época distante os meios de comunicação assumirão um papel muito pequeno na vida das pessoas, aqueles que não se tornarem eles próprios plataformas para as mais diversas interfaces do conhecimento, terão se entregado a um modo de vida que renegue a tecnologia.
Em 2060, o comércio terá eliminado em grande parte os intermediários e as trocas serão realizadas diretamente entre os fabricantes e os consumidores. Nas próximas décadas ainda surgirá uma forma de segmentação tão direcionada, que o consumidor comprará as partes de um produto separadamente e ele mesmo fabricará sua versão de qualquer produto. As empresas devem preocupar-se em serem gerenciadoras de serviços e oferecer serviços personificados ao máximo.
A era da produção em massa deixará de existir já na década de 2030, de lá em diante não existirá mais o conceito de comum a todos.

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